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Perda Auditiva: Impactos que Vão Além do Som

A perda auditiva é frequentemente associada apenas à dificuldade de ouvir sons mais baixos, mas, na prática, ela afeta muito mais do que o volume sonoro. Na maioria dos casos, o primeiro sinal não é deixar de ouvir, e sim não compreender o que está sendo dito, especialmente em ambientes com ruído, como restaurantes e reuniões familiares.

As causas da perda auditiva são variadas. Ela pode estar presente desde o nascimento, por fatores genéticos ou intercorrências na gestação e no parto, ou surgir ao longo da vida por doenças, infecções, envelhecimento natural (presbiacusia) e, principalmente, pela exposição excessiva ao ruído.

O ruído é considerado o principal vilão e a causa mais prevenível de perda auditiva. Sons intensos provocam um estresse oxidativo nas células da cóclea, levando à morte irreversível das células ciliadas, que não se regeneram.

Com o avanço da perda auditiva, a pessoa começa a pedir repetição constante, aumenta excessivamente o volume da televisão e do celular e, muitas vezes, passa a se isolar socialmente por não conseguir acompanhar conversas. Esse isolamento pode gerar irritabilidade, tristeza e queda na autoestima.

Do ponto de vista neurológico, a perda auditiva não tratada reduz o estímulo sonoro que chega ao cérebro. Com o tempo, a área responsável pela audição pode entrar em processo de atrofia por falta de uso, prejudicando a capacidade de compreensão da fala.

Estudos científicos mostram que cerca de 8% dos casos de demência no mundo estão relacionados à perda auditiva não tratada, devido à combinação de isolamento social, redução do estímulo cognitivo e alterações emocionais.

O diagnóstico correto deve ser feito por um otorrinolaringologista, com apoio do exame de audiometria, realizado por um fonoaudiólogo. Quanto mais cedo a perda auditiva for identificada, maiores são as chances de preservar a função cerebral e a qualidade de vida.